Quando na ” Odisséia”, um poeta e um sacerdote ficam de joelhos perante Ulisses e lhe suplicam que lhes poupe a vida, o herói, sem a menor hesitação, mata o sacerdote e agracia o poeta!

Homero nos explica a escolha, dizendo que Ulisses temia ferir um homem a quem os deuses tinham ensinado a sua arte divina…

O mundo corporativo – pragmático, cartesiano – com a disputa acirrada pelo mercado, a vertigem da rapidez das mudanças, atônito com a avalanche da informação (e a pouca comunicação…),foi-se afastando dos “deuses”.

Tratamos hoje, nas empresas e organizações, as mulheres e os homens como animais racionais, como animais emocionais (com a publicação da Inteligência Emocional de Daniel Goleman), mas esquecemos que temos raízes no “Olimpo”, e que a alma sente saudade dessa imagem e semelhança divinas e do respeito maior, que, por tal origem, cada um lhe deve.

Recebemos dos “deuses”, o dom de dar Nomes – Adão chamou a mulher de Eva – e com isso nos identificamos, individualizamos, somos um ser único, um filho do Universo – e com a capacidade de refletir a sua glória! Por isso reagimos mal, quando somos tratados como um número… mais um na multidão, ou, pior ainda, na manada.

Recebemos dos “deuses” a capacidade de Sonhar: “Sem a loucura, o que é o homem mais que a besta sadia / Cadáver adiado que procria?”. Nestes versos, o poeta Fernando Pessoa mostra que é a loucura – o sonho – que faz a diferença do homem (essência divina) para o animal (cadáver adiado). Sem o Sonho, “tudo é vaidade e um esforço para alcançar o vento…”.

O trabalho, ainda que extenuante, se for executado na mira da realização do sonho, não é sacrifício (dor), é motivador! É Sacrifício no sentido de “tornar sagrado”: na busca do seu sonho, um pedreiro não quebra pedra…constrói catedrais!

Quando esse sonho é grande e compartilhado (como o das Índias: chegar à Índia por mar!) ele ajunta, agrega, galvaniza, põe no mesmo barco nobres e plebeus, à gente humilde faz empreendedora, aos tíbios faz arrojados e descobridores, ao Mar, dos medos, tira “coral e praias e arvoredos”.

Uma equipe, um povo (como os nossos antepassados) que pode ver o invisível…pode realizar o “impossível”! E no dia 22 de Maio de 1498, aquele sonho da Índia, impossível, tornou-se uma realidade!

“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce” e o poeta toca a essência…ao inspirar o sonho, Deus mostrou o caminho para os “Novos Mundos”, novas oportunidades, novos mercados.

Etimologicamente, verdade (alétheia: a + Lethe) é não esquecimento. A recordação de nossos antepassados, a lembrança de que somos uma centelha divina e a certeza de que “você se fazer de pequeno, não ajuda o mundo”, como bem diz Nelson Mandela, nos faz querer ir mais além… vencer uma nova distância, descobrir uma “Índia Nova”.

A Verdade que liberta e revigora a auto-estima, o Entusiasmo (En + Theos: Deus dentro) que nos dá a fé para dizer “Cheio de Deus, não temo o que virá / pois venha o que vier, nunca será / maior do que a minha alma!”, a Música das caravelas…que canta a saudade… e a Poesia – que nos dá a consciência do que é essencial – tocam-nos profundamente, fazem-nos refletir e agir (em busca de um melhor porvir), com a convicção de que, como lá atrás, com coragem e siso, mais uma vez: “Navegar é Preciso…”.

As empresas e organizações, que sofrem de asfixia, necessitam deste ar novo, da maresia, dos bons-ventos… que sopram com a poesia. “Poesia não serve para coisa nenhuma…a não ser para o essencial!”

Please follow and like us: